Blog da Macacada


MAIS DE UM SIGNIFICADO

Estava no cabelereiro com minha mãe, Luísa e Rodrigo, pois afinal cortarmos os cabelos todos juntos já é uma tradição familiar, o que torna o Rodrigo um cabeludo em boa parte do tempo, já que o cabelo dele perde o corte muito antes do nosso. Luísa olhava umas fivelinhas que estavam à venda. Minha mãe comentou: - Que lindas estas fivelinhas não é Lu?

 

E ela: - É sim. Sabe como chamam? Tic tac.

 

E minha mãe: - Não Lu, Tic Tac é o nome dessa balinha aqui (apontando para a caixinha da bala que estava em suas mãos e que também tem esse nome).

 

Então Luísa concluiu brilhantemente: - E por acaso você é a única Maria que existe no mundo?



Categoria: Coisas de Luluca
Escrito por Denise às 09h34
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SUTILEZAS

Adoro a capacidade que as crianças têm de colocar mensagens subliminares em suas falas. De forma sutil elas expressam muitas vezes sentimentos como medo, ciúmes, inveja ou tristeza.

Rodrigo descobriu os Powers Rangers. Eu, como mãe até então imersa no mundo das princesas e das estudantes adolescentes norte-americanas, não conhecia a série, que chega a ser engraçada de tão tosca. E olha que tecnologicamente falando, estamos anos-luz de distância dos seriados japoneses da minha época, como Ultraman, Jaspion, Spectroman e afins. Os tais dos Power Rangers são de última geração perto destes que citei.

"Força da Água" são as palavras que mais tenho usado no momento, que é exatamente o bordão da Power Ranger Azul Claro, que costumo representar em nossas brincadeiras.

E foi exatamente no momento da divisão dos papéis que presenciei um desses diálogos com mensagens subliminares que reproduzo aqui, com a devida tradução simultânea da linguagem rodrigueana para o português:

- Mãi, vamô bincá de power rangers? (-Mãe, vamos brincar de Power Rangers?)

- Vamos sim, Rodrigo. Quem eu vou ser?

- A Power Ranger azul cáio, porque éia é minina. (-A Power Ranger azul-claro, porque ela é menina).

- E você quem vai ser?

-Hummm, o vêmeio! (-Hum, o vermelho!)

- E a Luísa?

- A Uíca? Humm, a mônta cô di rosa! (-A Luísa? A monstra cor-de-rosa!)



Categoria: Coisas de Gogô
Escrito por Denise às 22h46
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REFALANDO

Foi uma tarefa hercúlea conter o riso diante do diálogo da Luísa com a platéia composta por mim, Rodrigo e várias pessoas imaginárias, que estava prestes a assistir seu espetáculo de dança.

 

De microfone em punho ela disse:

- Refalando que não é permitido filmar, fotografar ou usar qualquer objeto luminoso durante o show, pois isso pode atrapalhar o artista. Os celulares devem ficar desligados ou pelo menos no modo mudo. Pedimos a gentileza de não atenderem os celulares durante o show, pois isto pode atrapalhar a concentração daqueles que estão devidamente sentados assistindo o espetáculo. Pedimos a colaboração de todos para que permaneçam sentados em silêncio durante todo o espetáculo. Aqueles que cumprirem todas as regras ganharão um cartãozinho de agradecimento na saída. E aqueles que não cumprirem, espero que não voltem mais.

 

Não sei se gostei mais do neologismo “refalando” ou do recadinho para que os mal-educados não voltassem nunca mais. E eu juro que ela falou exatamente desse jeito que eu reproduzi, com essas palavras.



Categoria: Coisas de Luluca
Escrito por Denise às 18h09
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DIA DOS PAIS

É possível elencar várias diferenças entre a geração do meu pai e a do meu marido em relação à paternidade. Todas elas a meu ver são decorrentes do fato de essa geração mais nova ter começado a assumir que cuidar dos filhos é uma tarefa a ser dividida integralmente com a mulher. Longe de isto se resumir a trocar fraldas, esquentar mamadeiras ou levá-los à escola, estou falando de participar efetivamente da educação. Preocupar-se em transmitir valores, ir às reuniões da escola, ouvir as confidências, falar dos problemas, tomar decisões junto com a mãe sobre que caminho seguir.

 

Mas tenho a impressão que há uma coisa que não mudou. A imagem mental que construímos dos nossos pais.

 

Eu tenho um pai maravilhoso. Afetuoso, dedicado, íntegro. Uma figura de quem tenho orgulho, uma das pessoas mais importantes da minha vida. A imagem que construí  dele é a de um porto seguro. Com ele por perto, tenho a sensação de que estou protegida dos perigos do mundo até hoje. Aquela mesma sensação que eu tinha quando era criança e o enxergava como um super-homem.

 

Ao perguntar para a Luísa e para o Rodrigo o que deveríamos escrever no cartão do Dia dos Pais, o que eles mais gostavam do papai as respostas não foram tão diferentes desta minha imagem. Luísa respondeu imediatamente: - Do abraço dele. Rodrigo: -De dumí no seu cóio (De dormir no seu colo).

 

Acredito que eles levarão essa imagem para sempre em suas memórias. Parabéns ao papai tão querido que eles têm. Que ele possa ser sempre essa fortaleza capaz de envolvê-los em seu abraço e dar a eles essa sensação de eterna segurança.



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 08h45
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O VALOR DAS FÉRIAS

Embora seja impossível ficar o mês de julho inteiro com as crianças e a única saída seja mesmo mandá-los para a escola no resto do tempo, eu entendo a Luísa.

 

Nada como vir para o outro lado do balcão. Agora que voltei a ser estudante, dou o devido valor a esta pausa no meio do ano.

 

Nunca na vida eu dei tanta importância a um sábado como neste mês de julho que passou. Já me peguei mais de uma vez olhando no relógio e pensando: que delícia, ainda são apenas 14:00 hs! Numa hora dessas eu estaria na aula e agora estou aqui, descansando, lendo, curtindo meus filhos, caminhando no sol de inverno pelo meu bairro, até mesmo fazendo compras no supermercado. Tudo parece diversão e descanso quando visto sob outra ótica.

 

Infelizmente não consegui nada além da semana e meia que tivemos de férias, mas boa parte do meu esforço em dar uma pausa no trabalho e fazer alguns passeios com ela veio da minha compreensão sobre a importância das férias enquanto estudante.

 

Tive um primeiro semestre muito puxado. Estudei bastante, por muitos almoços e por muito mais tempo que apenas almoços (feriados, finais de semana e noites durante a semana).

 

Pensei seriamente em desistir do curso, mas quando esse pensamento estava quase materializando-se, vieram as minhas notas, todas muito boas e, principalmente, as férias. Com esse descanso tão necessário pude recarregar as baterias e me preparar para recomeçar a maratona a partir de hoje.

Que venha o segundo semestre! E, logo em seguida, as férias de dezembro...



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 18h11
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O QUE VOCÊ TEM AÍ, SR. JACA?

Sr. Jaca é um simpático jacaré de uma coleção de livros de Jô Lodge editado pela ABC Press, que encanta os mais pequenos.

 

Os livrinhos ensinam os pequenos a reconhecerem as cores, as horas, os sons, o clima, a brincarem com os opostos.

 

Neste que temos e que o Rodrigo adora, o sr. Jaca os ajuda a aprender a contar até cinco. É um livro do tipo pop-up, daqueles em que as figuras saem da página como que por mágica. Adoramos particularmente a página final em que a resposta à dúvida “O que você tem aí, Sr. Jaca?” é um jacaré que pula da página com um bocão enorme e a seguinte frase: “Um sorriso cheio de dentes”.



Categoria: Olha só o que eu achei do livro
Escrito por Denise às 17h49
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CENTRO DA TERRA

O projeto mais recente da turma da escola da Luísa é estudar sobre o centro da Terra. Aproveitando o mote do filme da Disney e utilizando como pano de fundo o livro de Júlio Verne, eles estão conversando e discutindo o tema. Uma das atividades pedia que eles fizessem um desenho e descrevessem com suas próprias palavras como eles acham que é o centro da Terra.

O texto da Luísa é o seguinte:

Tem ET´s (que segundo ela são os seres que moram lá), um bar, um quarto e uma saída.



Categoria: Coisas de Luluca
Escrito por Denise às 16h11
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NARCISO

Rodrigo tem mostrado várias facetas do seu narcisismo. Se alguém pergunta qual a cor dos seus olhos, a resposta “Açuís” (azuis) vem acompanhada de uma carinha faceira como quem diz: eu sei, eu sou lindo e tenho olhos lindos também.

 

Vez ou outra costumo dizer para ele, com uma voz bem arrastada: - Rodrigo, agora vou contar uma história para você. Era uma vez, um menino muito bonitinho que se chamava Rodrigo. Pois vira e mexe ele pede: - Mamãe, conta a itóia do menino boitinho Ôdigo? (Mamãe, conta a história do menino bonitinho chamado Rodrigo?).

 

Outra mania minha é chamá-lo de Zé Mané quando ele faz alguma coisa errada. Outro dia eu chamei: -Vem cá Zé Mané colocar o tênis! E ele rapidamente: -Mamãe, eu não é Zé Mané. Eu é Ôdigo bonitinho. (Mamãe eu não sou o Zé Mané. Eu sou o Rodrigo bonitinho).

 

Quem vai contrariar? A mãe coruja aqui é que não.

 

Rodrigo se divertindo a valer na festa de um amiguinho.



Categoria: Coisas de Gogô
Escrito por Denise às 09h26
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DOMINGO NUBLADO

O dia ontem estava feio e nublado. Perfeito para fazermos as seguintes coisas:

  • Aproveitar que tenho uma casa gostosa e confortável e ficar dentro dela o dia todinho, sem nem colocar o meu narizinho para fora;
  • Passar a manhã de pijama vendo televisão com os filhotes;
  • Cochilar depois do almoço agarradinha no Rodrigo, sentindo aquele cheirinho de cangote de filho bem de pertinho;
  • Brincar de show de música com a Luísa e tirar do fundo do baú aqueles passinhos de "jazz" que eu aprendi na minha adolescência;
  • Brincar de jogo da memória com o Rodrigo;
  • Tomar um banho demorado com eles;
  • Assistir um DVD infantil comendo pipoca;
  • Colocá-los para dormir e ficar de bobeira, lendo, vendo TV e papeando com o marido.

Voltei para o trabalho hoje renovada depois de um dia de ócio, preguiça e muita brincadeira com os pequenos. Que venha uma nova semana!



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 11h52
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BONZINHO

Acho engraçado como essa palavra tem significados opostos dependendo da idade do sujeito a quem dirigimos esse adjetivo.

 

É maravilhoso ter um filhinho bonzinho. Queremos que eles sejam assim. Os significados que associamos a esta palavra quando ela se refere às crianças pequenas são: educado, não grita, não chora muito, dorme à noite, meigo, doce, divide suas coisas com os colegas, não é agressivo. Todos eles com conotação positiva. Desejamos inclusive às nossas amigas grávidas que tenham filhos bonzinhos. Perguntamos às que acabaram de ter bebês: Ele é bonzinho?

 

Então eles viram adultos. E bonzinho muda de significado. Passa a estar relacionado com pessoas apáticas, sem grandes qualidades que possamos enumerar, sem sal, bobas, sem iniciativa. Quando ouvimos alguém falar sobre um namorado, “o fulano é bonzinho”, não é incomum que nos venha à mente a imagem de um cara bobo ou pouco amado.

 

Sinceramente não consigo entender direito um mundo que valoriza e incentiva a prática da bondade nas crianças, mas prefere adultos não tão bonzinhos. Eu espero que o meu filho seja bonzinho ao longo de toda a sua vida.



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 18h43
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POR UM MUNDO COM MAIS BANHEIROS DA FAMÍLIA

Talvez seja um problema exclusivamente meu. Mas o fato é que o Rodrigo não quer mais entrar em banheiros com meninas desenhadas na porta. Minhas tentativas de dizer que aquilo não é uma menina não funcionam mais. Sobretudo se o banheiro em questão for de um buffet infantil, e tiver uma menina quase que em tamanho natural desenhada na porta.

 

Nessa ocasião específica, meu marido estava trabalhando em pleno feriadão e eu estava sozinha com a dupla. E tive de invadir o banheiro masculino para evitar que meu filho fizesse xixi na calça, já que no banheiro com a tal da menina gigante desenhada na porta ele se recusava terminantemente a entrar.

 

Fiquei lembrando depois de como são os demais buffets infantis, e não consegui me lembrar de nenhum que tivesse um banheiro unissex que pudesse ser freqüentado por mães com seus filhos. Eu falo dos buffets infantis, porque acho que é um caso extremo de local freqüentado por crianças pequenas o tempo todo, onde pensar nas pobres mães de meninos que vão sozinhas nas festas, precisam levar seus filhos pequenos ao banheiro, e que podem ter filhos que não gostam de freqüentar o banheiro das meninas, deveria ser algo básico.

 

Mas o problema também ocorre em cinemas, restaurantes, parques, livrarias. Enfim, à exceção de alguns shopping centers, empreendedores não costumam pensar no assunto ao construírem seus estabelecimentos comerciais. É banheiro de menina, banheiro de menino e pronto. E muito bem sinalizadinhos que é para não deixarem dúvidas aos freqüentadores, já que até meninos de menos de três anos de idade conseguem distinguir perfeitamente a menina desenhada na porta. E se recusarem a entrar.

 

Fico imaginando que pais sozinhos com suas filhas passem por situações até piores, já que banheiros masculinos possuem os tais mictórios para complicarem ainda mais a vida dos pais com meninas pequenas (pelo menos eu me tranco numa cabine com ele e pronto, ele não vê e não constrange ninguém mais que estiver dentro do banheiro das meninas).

 

Mais banheiros de família é um dos desejos que tenho para a humanidade. Por uma vida mais fácil para pais que estão sozinhos com seus filhos pequenos de outro sexo.



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 12h22
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PRÊMIO

“Com o prêmio dardos se reconhece os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc..., que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."

O "Prêmio Dardos" tem certas regras:

1. Aceitar exibir a distinta imagem.
2. Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.

3. Escolher quinze (15) blogs para entregar o "Prêmio Dardos".

 

Queria agradecer à Carol  pela indicação desse espaço ao "Prêmio Dardos".  E seguindo quase todas as regras descritas acima, vou indicar seis outros blogs que gosto de ler e enquadram-se na descrição acima, porque os demais a própria Carol já indicou.

Bocozices e Joanices

Cria Minha

Príncipes

Cousas e Causos

Crônicas do Iglu

Mudando Sempre



Categoria: Genéricos
Escrito por Denise às 15h21
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UNIVERSO PARTICULAR

Como todo ser humano também tenho meus traços de egocentrismo. Muitas vezes esqueço que o universo das mães, povoado de personagens de desenhos animados vistos à exaustão e cantigas infantis que definitivamente não são os hits do momento, não é o mesmo de todos aqueles que estão ao meu redor, sobretudo no meu ambiente de trabalho.

E solto um "Sim senhore, positone", depois de alguém me pedir uma tarefa. E um "catchuga, catchuga, conseguimos o trabalho" para comemorar um projeto recém aprovado. Para quem não faz parte deste universo, explico. A primeira frase é o bordão do desenho Pink Dink Doo, que faz parte da programação do canal de TV a Cabo Discovery Kids. E a segunda, é o bordão do inimigo do Relâmpago McQueen do desenho da Disney Carros.

Isso quando não me pego cantarolando baixinho, mas num volume audível para o colega do lado: "Pindorama, pindorama, é o Brasil antes de Cabral, Pindorama, Pindorama, é tão longe de Portugal". Uma música do grupo Palavra Cantada que eu adoro, mas que só pais de crianças pequenas costumam conhecer.

Universo bem particular esse das mães de crianças pequenas.



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 10h01
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MAIS UM MOTIVO PARA TER FILHOS

Em geral eu durmo muito bem e muito rápido. Dificilmente tenho insônia ou outros problemas ligados ao sono. Mas quando acontece de eu demorar a dormir, deparo-me com o ronco do marido. Muitas vezes fico com pena de apelar para as famosas cotoveladas, pequenos empurrões ou chutes para que ele mude de posição e dê uma trégua.

 

E fico lá, contando cada intervalo de segundo entre um ronco e outro. Tentando colocar em prática todas as técnicas de meditação aprendidas em anos de ioga sem muito sucesso. O barulho parece ensurdecedor. O ritmo e o intervalo constante são dignos dos maiores torturadores de todos os tempos.

 

Nessas ocasiões é impossível não esboçar um sorriso, dar um suspiro de alívio e me aconchegar nos lençóis, quando ele percebe que está roncando e atrapalhando o meu sono e vai dormir na cama da Luísa com ela.

 

Fico agradecendo mentalmente termos uma menina com uma cama aconchegante para receber o pai roncador de bom grado e deixar a minha cama inteirinha só para mim.

 

Dentre as milhares de razões que posso citar para convencer alguém de que ter um filho é uma ótima experiência, essa, sem dúvida, é uma delas. 



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 20h15
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AINDA SOBRE AS FÉRIAS

Nestes dias todos em que eu e Luísa ficamos grudadas, não só passeando juntas, mas conversando o dia todo, algumas coisas chamaram minha atenção.

  • É bom não subestimá-la. Acho que isso tem a ver mais com meu jeito, do que com algo intencional. Mas a verdade é que não costumo simplificar as palavras para falar com ela ou deixar de visitar um determinado lugar porque acho que ela não vai compreender direito o que vê. E o resultado me agrada. Desde que se esteja preparada para enfrentar a curiosidade dos pequenos e responder questões como: o que é destino (palavra escrita no metrô)?; o que significa fé católica?; o que é um imigrante?; o que é bíblia?; por que o monge beneditino usa essa roupa com capuz marrom?; entre outras, o saldo, ao meu ver, é extremamente positivo. Uma criança mais reflexiva e com mais bagagem cultural. Ela pode não compreender os quadros e exposições como eu as compreendo, mas apreciará do jeito dela e ampliará sua visão de mundo.
  • Pela primeira vez tive uma conversa mais séria sobre o que fazer se ela se perdesse de mim, como encarar estranhos e sobre a existência de pessoas legais e não tão legais. Nunca tínhamos estado por tanto tempo em ambientes abertos e tão aglomerados como um metrô, por exemplo. E, embora eu não pretendesse perdê-la de jeito nenhum, não dá para fingir que essa possibilidade não existe. Orientei-a para não sair do lugar em que se perdeu, pois seria mais fácil achá-la se ela ficasse parada, e procurar um guarda ou funcionário de uma loja para pedir a ajuda. Não conversar com os demais estranhos. Não falar alto o nosso destino. Infelizmente as pessoas podem ser legais ou não tão legais. Sem conhecê-las, não temos como saber a qual grupo pertencem, mas, de um modo geral, as pessoas que trabalham nas lojas e os guardas do metrô são pessoas legais (sei que simplifiquei as coisas, mas foi a maneira mais fácil de falar sobre o tema que encontrei). Além disso, coloquei dentro da carteira dela, que ficava dentro de sua mochila, um papel com nosso endereço e telefones. Era só ela mostrar para esta pessoa este papel. Felizmente, tais conselhos e orientações não precisaram ser testados na prática. 
  • Aprendi que ela está na idade de curtir visitas a restaurantes. Ela costuma citar os restaurantes em que foi como lugares legais que visitou nestas férias. Provar novas comidas, ficar sentada batendo papo foram experiências divertidas para ela. Confesso que eu não costumo freqüentar restaurantes com a dupla, porque até agora era um exercício meio masoquista de comer comida fria e ficar correndo atrás de criança. Ainda é assim com o Rodrigo. Mas descobri que vez ou outra já é possível fazermos um programa desse tipo com a Luísa. 
  • Sempre ouvi a coordenadora da escola das crianças dizer que na fase em que a Luísa está, a aprovação dos adultos ainda é fundamental. E realmente é mesmo. Todo final de dia ela me perguntava: - Mamãe hoje fui dez? Quando ia comprar alguma coisa e estava em dúvida entre duas cores ou duas coisas, não adiantava nada eu dizer que era ela quem tinha de escolher, que o presente era dela. Ela sempre respondia que precisava saber a minha opinião, porque a minha opinião era importante. O mesmo valia para quando eu percebia que ela estava cansada e perguntava se ela já queria ir embora. Vinha sempre uma pergunta: - Mas e você quer? Não vai ficar triste se a gente for embora agora? Isto apenas reforça a responsabilidade que nós adultos temos sobre a formação da auto-estima e da personalidade da criança. O quanto é importante reforçarmos a autonomia delas e mostrarmos que ela não precisa fazer coisas apenas para agradar-nos.
  • E como presta atenção em tudo esta menininha! Nenhum detalhe lhe escapa. Frases ditas pela apresentadora do Planetário, frases que eu disse no meio de um almoço, um quadro do museu, frases ditas pela nossa guia. Muitas vezes eu achava que ela não estava reparando em nada, não estava concentrada no que estávamos fazendo. E alguns dias depois ouço-a repetir exatamente aquela frase ou comentar sobre aquele momento. Novamente penso na responsabilidade que os pais têm na formação de seus pequenos. Servimos de modelo para eles o tempo todo, sendo que eles estarão atentos aos mínimos detalhes de nossas atitudes. 
  • O senso de direção dela é ótimo. Por mais de uma vez quem nos guiou até o carro no estacionamento foi ela. E como gostava de procurar comigo qual direção de metrô tomar, onde estava a saída, para qual andar do museu deveríamos ir agora. Provavelmente esse foi um dos divertimentos para ela ao longo dos passeios. 
  • Sua generosidade também salta aos olhos. Em nenhum dia ela pensou em usar o dinheiro para as comprinhas que eu lhe dei em coisas unicamente para si. Sempre havia uma lembrancinha para o irmão para ser comprada, um presentinho para o papai e até mesmo para mim. Desde muito pequena percebi que dividir não era uma palavra difícil de ser usada por ela. Mas o carinho e generosidade que ela demonstra para com sua família são realmente tocantes.



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 10h06
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